Home » blog » Boca seca | Conheça a sialometria, teste para avaliar a salivação

Boca seca | Conheça a sialometria, teste para avaliar a salivação

posts

Você costuma sentir a boca seca?

Conheça a Sialometria, que é um teste para medir a produção salivar. O teste deve ser feito quando existir a suspeita de uma alteração qualitativa ou quantitativa na produção salivar e é destinado a verificar se a produção salivar está ou não dentro dos parâmetros de normalidade. A sialometria é um método que informa quantos mililitros de fluido salivar são produzidos por minuto, avaliando outras varáveis da saliva, tais como coloração, turbidez, viscosidade, pH e odor.

Tipos de Sialometria

Nesse texto vou mencionar os tipos mais comuns de sialometrias realizadas no Brasil. Esse exame pode ser feito em repouso, sem nenhum tipo de estímulo, ou estimulando a produção salivar, podendo ser com estimulação mecânica, por meio da mastigação de tubetes de silicone ou por estimulação gustatória, usando o ácido cítrico e / ou o ácido málico.

O período de 5 minutos de coleta é usado mais comumente para aferir a taxa de fluxo de saliva estimulada e não estimulada. Na sialometria sem estímulo utiliza-se com maior frequência o processo da coleta salivar em repouso, em que há um escoamento passivo da saliva produzida por gravidade, com o paciente arqueando o corpo para frente de modo que a saliva produzida escoe para dentro do tubo receptor de saliva por gravidade.

Já na sialometria por meio do estímulo mecânico, tem-se um favorecimento maior da resposta das glândulas parótidas, enquanto pelo estímulo gustatório são ativadas os três pares de glândulas salivares maiores (submandibulares, sublinguais e parótidas). A sialometria representa um método de diagnóstico muito relevante, principalmente para detectar alterações patológicas, bem como os sintomas e sinais rotineiramente associados à distúrbios sistêmicos e bucais.

Nesses 3 exames são feitas a coleta da saliva total (de todas as glândulas) em que são incluídas na saliva os seguintes substratos:

•        Muco da cavidade nasal;

•        Fluido gengival;

•        Glóbulos brancos;

•        Células epiteliais descamadas;

•        Microrganismos;

•        Resíduos alimentares;

•        Produção salivar de todas as glândulas salivares;

•        Muco da faringe;

•        Bactérias;

•        Produtos do metabolismo bacteriano.

Orientações pré-sialometria

O paciente é aconselhado a não fumar, beber, comer ou realizar qualquer procedimento de higiene bucal nas duas horas anteriores às medições. E em avaliações seriadas, deverá ingerir 300 ml de água nas 2 horas que antecedem as coletas de saliva, para que assim não afete os resultados, devido a variabilidade na hidratação do organismo.

Outro ponto importante a ser destacado se refere à uma padronização do horário, desde a primeira coleta, para que assim se evitem variações. Alguns fatores podem influir nos resultados, tais como:

  • Consistência e tamanho do estímulo mecânico;

  • Tipo de estímulo gustatório;

  • Claridade no ambiente;

  • Umidade relativa do ar;

  • Tempo de duração da coleta;

  • Horário da coleta;

  • Temperatura ambiente;

  • Período em jejum;

  • Ruídos no ambiente;

  • Estação do ano.

Esses fatores, na medida do possível, devem ser padronizados, para tornar os resultados mais confiáveis.

Resultados – Padrões Quantitativos

Os valores recomendados pela (ABHA) Associação Brasileira de Halitose na sialometria são1:

  • Sob estímulo mecânico de 6,0 a 12,5 ml de saliva em cinco minutos (ou de 1,2 a 2,5 ml/minuto). Valores acima dessas medidas podem ser consideradas como hipersalivação ou sialorréia, e abaixo desse valor, hipossalivação;

  • Na sialometria em repouso, o padrão aceito é de no mínimo 1,5 a 2,0 ml em cinco minutos (ou 0,3 a 0,4 ml/minuto), valores abaixo disso são taxados como hipossalivação.

No caso da avaliação da quantidade de saliva produzida, a sialometria é feita para verificar se a queixa de boca seca dos pacientes é uma real diminuição na produção salivar, chamada hipossalivação, ou se é apenas uma sensação de boca seca, mas o fluxo salivar está dentro dos parâmetros normais. Nesse caso essa sensação de boca seca é chamada xerostomia, provavelmente causada por outro motivo que resseque a boca, como a respiração bucal ou o ronco.

Os fatores que influenciam uma diminuição no fluxo salivar nas pessoas vão desde de alterações emocionais prolongadas como o estresse crônico, por exemplo, a utilização de medicações que diminuem o fluxo salivar como efeito colateral, a baixa ingestão de líquidos e doenças, especialmente as autoimunes, que normalmente têm um componente genético.

A baixa produção salivar tem participação na formação dos mau odores bucais, por 2 motivos principais. Primeiro, por diminuir a ação de autolimpeza na boca e segundo, por aumentar o ressecamento bucal e a consequente descamação de células dos lábios e bochechas, que servirão de alimento para as bactérias responsáveis pela formação de maus odores ao degradarem essas células descamadas. Nesse processo são formadas placas bacterianas nos dentes e gengiva (placa dental), língua (saburra lingual) e amígdalas (cáseos amigdalianos), que são importantes causas do mau hálito.

Como dicas para aumentar a produção salivar, além de aumentar a ingestão de líquidos, o ideal é utilizar produtos que estimulem a produção salivar pela mastigação ou pela gustação. Pode-se utilizar chicletes sem açúcar e frutas ácidas como a maça, especialmente as mais azedinhas, gotas de limão ou abacaxi. Outra opção são os produtos que desempenham essa função, como os Sialogogos mecânicos Halitus ou o Halitus Hidrat Gotas, desenvolvidos exatamente para essas funções. Finalmente, para casos mais severos, ao consultar um profissional qualificado no tratamento da Boca seca, existem outras possibilidades de tratamento como a laserterapia de glândulas salivares, o TENS ou utilizar uma medicação para aumentar o fluxo salivar.

Resultados – Padrões Qualitativos

Um fluido salivar considerado normal precisa ser incolor e transparente, se for notado colorações amareladas ou avermelhadas pode indicar prováveis sangramentos ou pus na boca, já uma saliva turva, indicará uma descamação em excesso da mucosa bucal.

É importante que a saliva tenha certa viscosidade, para uma boa lubrificação bucal. Afinal um fluido mucoso e muito grosso favorece a acumulação de placas bacterianas nas gengivas, dentes, língua, garganta, desencadeando alterações no hálito e alterações gengivais.

Como ou onde realizar os testes

Para realizar os testes de sialometria sob estímulo mecânico e em repouso é preciso procurar profissional qualificado no tratamento do mau hálito e da boca seca.

Mas, caso não possa arcar com os custos de um tratamento ou resida longe desses profissionais, você pode adquirir o Kit de Sialometria Halitus (Foto 1), que possibilita fazer 50 testes sob estímulo mecânico e inúmeros testes em repouso. A simeticona, usada para incorporar a espuma à saliva, não vem inclúída no Kit abaixo e deve ser comprada em farmácias.

O Kit é composto por um tubo receptor de saliva de vidro, um pacote com 50 silicones para sialometria (Foto 2), um cronômetro com contagem regressiva e uma espátula de plástico, que deverá ser usada para incorporar a espuma à saliva, com o auxílio de um antiespumante a venda em farmácias (simeticona). Essa técnica foi desenvolvida por mim e publicada na Revista da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, que você pode baixar clicando em Técnica de Sialometria para a prática Clínica Diária.2

Observação: Caso tenha risco de engolir o silicone, amarrar um pedaço de 25 cm de fio dental, deixando parte do fio para fora da boca enquanto mastiga.

Silicone para Sialometria Halitus

E para fazer os testes com estímulo gustatório, ideal para quem não tem dentes, tem muito sangramento gengival ou tem dor ao mastigar, basta adquirir o Halitus Hidrat Gotas, cuja formulação contém ácido cítrico e ácido málico e pingar 3 gotas na língua por minuto e ficar 5 minutos sem engolir, cuspindo toda a saliva produzida no tubo ao final do teste. Com um frasco é possível fazer cerca de 80 testes salivares. A contraindicação desse teste é para pessoas que não suportam ingerir frutas cítricas, pois a base de sua formulação são os ácidos da maça verde e da laranja, limão e abacaxi. Caso queira adquirir os Kits de sialometria, acesse o Menu Produtos desse site, procurando a sessão de produtos para boca seca e a seguir o Kit de sialometria (para medir a produção de saliva) com cronômetro.

Navegue pelo site PortaldoHalito.com.br e tenha acesso à clínicascursosprodutos para o mau hálito e boca seca e profissionais qualificados de todo o Brasil. No Portal do Hálito você também encontrará conteúdos em textos, vídeos e podcasts relacionados ao mau hálito, saburra lingual, cáseos amigdalianos, doenças da gengiva, boca seca, boca amarga, dicas de saúde bucal, saúde geral e muito mais. Pra receber esses conteúdos em primeira mão, assine a newsletter ou me siga nas redes sociais, que estão no final ou no topo dessa página.

Se tiver dúvidas ou precisar de mais informações, entre em contato pelo whatsapp 19 97404-1082.

Referências Bibliográficas:

1- Conceição MD. Exames Complementares – Sialometria, Halitometria e Teste de Respiração Bucal.  Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose. 1 ed. Campinas - SP: Arte em Livros; 2013. p. 105-24.

2- Conceição MD, Marocchio LS, Fagundes RL. Técnica de sialometria para uso na prática clínica diária. Rev Assoc Paul Cir Dent. 2006;60(5):350-4.

Sobre o autor

Dr. Maurício Duarte da Conceição - CRO SP: 34.205
- Cirurgião Dentista, proprietário da Clínica Halitus, com 6 mil tratamentos de halitose realizados pessoalmente e da Empresa de Produtos Halitus, desenvolvidos para auxiliar o diagnóstico e tratamento da halitose e boca seca
- Pós-graduado em Halitose (Especialização) pela São Leopoldo Mandic - Campinas / SP
- Mestre em Psicologia pela Universidade São Francisco - Itatiba / SP
- Membro fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA)
- Autor do livro Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose, publicado em Português e em Espanhol, a mais completa obra já publicada sobre o tratamento do mau hálito
- Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais e autor de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior, nas áreas de Halitose e Boca seca 
- Especialista de Dentística Restauradora pela USP - Bauru / SP

CADASTRE-SE E RECEBA

CONTEÚDOS EXCLUSIVOS

Fique tranquilo(a). Seus dados não
serão compartilhados com terceiros