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Consequências Psicológicas do Mau Hálito

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O tema desse texto são as Consequências Psicológicas do Mau Hálito, um assunto muito importante e que tem sido a minha principal área de estudos e pesquisas nos últimos 12 anos. Eu considero essa a área mais importante do tratamento do mau hálito e também a mais desafiadora, pois trata das consequências psicológicas que a queixa em ter halitose traz na vida das pessoas, causando um grande prejuízo na qualidade de vida dos pacientes.

Desenvolvi um questionário para medir o impacto que a queixa em ter mau hálito trouxe na vida dos pacientes, chamado Inventário das Consequências da Halitose (ICH). São 18 perguntas sobre mudanças de comportamentos, sentimentos, pensamentos, que podem levar a um retraimento ou isolamento social, profissional e afetivo e também à interpretação errônea de gestos e atitudes normais das pessoas, como se fossem expressões de repugnância ao mau hálito que o paciente supostamente acredita ter.1,2 Elas foram baseadas na análise de 2500 prontuários de pacientes, elegendo as 18 principais limitações que o mau hálito trouxe na vida deles. São elas:

1. Falar menos.
2. Desviar o rosto para falar.
3. Evitar falar próximo a alguém.
4. Usar mascaradores de hálito.
5. Ter pensamentos de insegurança relacionados à halitose.
6. Colocar a mão na boca ao falar.
7. Restringir-se socialmente devido à halitose.
8. Restringir-se profissionalmente devido à halitose.
9. Restringir-se afetivamente devido à halitose.
10. Falar para “dentro” (prender o ar ao falar).
11. Falar menos em locais fechados, como elevadores e carros lotados.
12. Fazer a higiene bucal e/ou da língua várias vezes ao dia.
13. Isolar-se socialmente, deixando de ir a compromissos, devido à halitose.
14. Desvalorizar-se (sentimento de baixa autoestima).

Mudanças de comportamento devido à interpretação errônea de gestos e atitudes das pessoas, relacionando-os a seu “hálito ofensivo”

15. Interpretar erroneamente o ato de alguém passar a mão no nariz, correlacionando essa atitude
com uma alteração em seu hálito.
16. Interpretar erroneamente o ato de alguém oferecer-lhe uma bala ou chiclete, correlacionando
essa atitude com uma alteração em seu hálito.
17. Interpretar erroneamente que os outros fazem “comentários” sobre seu hálito.
18. Interpretar erroneamente o ato de alguém virar o rosto ou se afastar, quando começa a falar,
correlacionando essa atitude com uma alteração em seu hálito.

Pra entender melhor eu vou mostrar a seguir as 18 perguntas do Inventário das Consequências da Halitose.

Se você se queixa em ter mau hálito, aproveite e pegue uma caneta, assinalando o número de respostas sim.

Responda sim ou não para as questões a seguir:

Inventário de Consequências da Halitose

RESULTADOS

Na minha pesquisa de Mestrado em Psicologia, dos 18 pontos possíveis (pontuação máxima), foi estabelecida que um escore de 14 ou mais pontos indicava consequências psicológicas severas, já trazendo grandes prejuízos no cotidiano de quem se queixava em ter mau hálito

Os resultados da pesquisa indicaram que a pontuação média entre os 156 voluntários no Inventário das Consequências da Halitose foi de 14,87 pontos e o escore médio somente dos voluntários que realmente tinham queixa em ter halitose (91% da amostra) foi de 15,77 pontos.

Ou seja, mais de 90% dos pacientes que se queixavam em ter mau hálito, desenvolveram consequências psicológicas severas, pois acreditavam que tinham um forte mau hálito e que todos percebiam.

Esses pacientes pensam em mau hálito várias vezes ao dia e ficam “vigiando” os gestos das pessoas, para saber se existe algum indício que seu hálito esteja alterado. Conversando com meus pacientes durante o tratamento do mau hálito em minhas clínicas, posso afirmar que o desgaste energético e estresse que eles têm no dia a dia por ficarem sempre em estado de alerta, é enorme.

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA

 Embora a quase totalidade dos voluntários da pesquisa tivessem uma forte convicção em ter uma halitose severa, que todos percebiam, com relação a se esses voluntários estavam ou não com mau hálito e com qual distância e intensidade a halitose era percebida, na consulta inicial 25,64% dos voluntários tinham hálito normal, 15,38% um hálito levemente alterado e 23,08% uma halitose leve, percebida a apenas 15 centímetros de distância.

Ou seja, embora mais de 90% dos voluntários tivessem a certeza em possuir uma halitose severa, que é percebida por todos ao redor, cerca de dois terços dos participantes (64,10%) tinham um hálito normal, levemente alterado ou apenas uma halitose leve, percebida apenas bem de perto. Entretanto esses pacientes tinham uma forte convicção em ter uma halitose severa, que todos percebiam, o que definitivamente não era verdade. 

Cerca de 2 terços de casos de Halitose leve ou Hálito normal

Os dados obtidos na minha pesquisa são bem similares a outros estudos, com uma grande parcela dos pacientes com um hálito normal ou apenas levemente alterado, sendo um dos estudos que apresentei na Nona Conferência Internacional de Halitose, em 2011 (62,99% dos pacientes) e outro estudo de Oho et al. em 2001 (55% dos pacientes).

TRATAMENTO DAS CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS DA HALITOSE

Essa é a realidade que tenho encontrado na minha prática clínica nos últimos 25 anos e é o que tenho visto ocorrer nas clínicas de colegas e alunos do meu curso que atuam na área. E foi justamente isso o que me motivou a desenvolver um método para tratar não só o hálito, mas também a segurança dos pacientes e que é inclusive o tema do meu livro, escrito em 2013, Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose.3 Fiz meu mestrado em psicologia, justamente para validar cientificamente esse método e aprimorá-lo, que se tornou um estudo publicado em 2018 na Inglaterra.4

Livro Bom Hálito e Segurança!

Caso você queira conhecer ou se aprofundar nesses temas, você pode baixar aqui a minha dissertação de Mestrado em Psicologia5 e também o estudo em que validei o Inventário das Consequências da Halitose, publicado no exterior.

No próximo texto vou complementar esse assunto demonstrando os motivos pelos quais muitos pacientes têm uma preocupação excessiva com seu hálito, a ponto de afetar sua qualidade de vida enquanto, por outro lado, outros pacientes se preocupam bem menos, a ponto de não ter a qualidade de seu dia a dia prejudicada. O fator que difere esses 2 grupos é a presença do Transtorno de Ansiedade Social, cujos sintomas típicos estão presentes em cerca de 50% dos pacientes com Consequências Psicológicas da Halitose severas (14 ou mais pontos no questionário acima).

Se quiser, ouça esse texto em áudio

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Se tiver dúvidas ou precisar de mais informações, entre em contato pelo whatsapp 19 97404-1082.

Seguem abaixo as referências mencionados no texto à apresentação em Congresso, aos artigos científicos e à minha dissertação de Mestrado em Psicologia.

Referências Bibliográficas:

1- Conceição MD, Chelegon MA. Diagnostic and Treatment of the Behavioral Alterations Due to Halitosis BADH). 9th Isbor International Meeting; Salvador – Brasil; 25-28 May 2011.

2- Oho T, Yoshida Y, Shimazaki Y, Yamashita Y, Koga T. Psychological condition of patients complaining of halitosis. Journal of dentistry. 2001;29(1):31-3. Epub 2001/01/04

3- Conceição MD. Alterações Comportamentais Decorrentes da Halitose (ACDH).  Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose. 1 ed. Campinas - SP: Arte em Livros; 2013. p. 315-38.

4- Conceicao, MD, Giudice FS, Carvalho LF. The Halitosis Consequences Inventory: psychometric properties and relationship with social anxiety disorder. BDJ Open. 2018;4:18002.

5- Conceicao MD. Relações entre consequências da halitose, ansiedade social e funcionamento evitativo em indivíduos com queixa de halitose. Itatiba/SP. Dissertação [Mestrado em Psicologia] - Faculdade de Psicologia da Universidade São Francisco; 2016.

Sobre o autor

Dr. Maurício Duarte da Conceição - CRO SP: 34.205
- Cirurgião Dentista, proprietário da Clínica Halitus, com 6 mil tratamentos de halitose realizados pessoalmente e da Empresa de Produtos Halitus, desenvolvidos para auxiliar o diagnóstico e tratamento da halitose e boca seca
- Pós-graduado em Halitose (Especialização) pela São Leopoldo Mandic - Campinas / SP
- Mestre em Psicologia pela Universidade São Francisco - Itatiba / SP
- Membro fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA)
- Autor do livro Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose, publicado em Português e em Espanhol, a mais completa obra já publicada sobre o tratamento do mau hálito
- Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais e autor de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior, nas áreas de Halitose e Boca seca 
- Especialista de Dentística Restauradora pela USP - Bauru / SP

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