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Causas do Mau Hálito | Saiba de onde vem a Halitose

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Em 2013, ao escrever o livro Bom Hálito e Segurança, encontrei 89 causas do mau hálito1. Leia esse artigo até o final e saiba como identificar de onde vem a halitose, se é da boca, de dentro do organismo ou das vias aéreas superiores. Recentemente mais uma causa foi identificada na literatura2, sendo que atualmente 90 causas de halitose são conhecidas. Normalmente as causas do mau hálito são multifatoriais, e o tratamento, em alguns raros casos podem necessitar de profissionais de diferentes áreas. É na cavidade bucal onde ocorre a grande maioria dos casos.

As 3 principais causas do Mau Hálito

Aproximadamente 95% dos casos de halitose tem origem na boca, devido a saburra ou biofilme lingual e da doença periodontal, especialmente a gengivite e a periodontite. Então caso você queira saber como identificar as duas, saiba que é muito fácil. Confira.

Para identificar a saburra lingual, vá em frente ao espelho e coloque a sua língua para fora o máximo que conseguir e veja se no fundo dela há uma placa bacteriana esbranquiçada ou amarelada, ou até mesmo no tom marrom. Se tiver, nesse outro texto vou dar dicas de quais as ações para combater esse problema desconfortável.

Já o sintoma principal das doenças da gengiva é o sangramento gengival. Se a gengiva sangra ao escovar os dentes ou usar o fio dental é sinal que está inflamada, podendo alterar o hálito. Pra saber mais sobre essa importante causa do mau hálito, acesse esse texto.

E entre as causas do mau hálito extrabucal, a mais frequente são os cáseos amigdalianos, presente em 5 a 6% da população, que são pequenas bolinhas de coloração amarela ou branca que se formam dentro das amígdalas e que tem um odor desagradável. Pra saber mais sobre os cáseos acesse o artigo que escrevi a esse respeito Caseum ou Bolinhas na Garganta | Mau Hálito das Amígdalas.

As 3 Principais Causas do Mau Hálito

Ou seja, somente essas 3 causas são responsáveis por cerca de 98% dos casos de Mau hálito. A seguir descreverei as diversas causas da halitose, que podem ser, de acordo com os estudos mais recentes,3-7 de origem:

  • Bucal (de 92 a 100 % das ocorrências)

  • Extrabucal (de 3,2 a 8 % das ocorrências)

Como causas de origem extrabucal, consideramos as de procedência metabólica ou sistêmica (vindas de dentro do organismo) e nas vias aéreas superiores.

As causas da halitose serão divididas em:

  1. Halitose bucal;

  2. Halitose extrabucal não transportada pelo sangue:

B1)     Halitose extrabucal não transportada pelo sangue, com procedência nas vias aéreas;

B2)     Halitose extrabucal não transportada pelo sangue, com procedência no sistema digestivo;

  1. Halitose extrabucal transportada pelo sangue.

A ) Causas da Halitose bucal:

  1.  por pericoronarite;

  2.  por saburra lingual;

  3.  por hipofunção de glândulas salivares;

  4.  por doença periodontal;

  5.  por descamação demasiada de células epiteliais da mucosa bucal;

  6.  por estomatite;

  7.  por má higienização de próteses;

  8.  por higiene bucal deficiente;

  9.  por alterações morfológicas da língua;

  10.  por ânsia excessiva;

  11.  por próteses ou restaurações mal adaptadas ou defeituosas;

  12.  pelo espaço reduzido entre o dorso posterior da língua e palato mole*;

  13.  por cicatrização de feridas cirúrgicas bucais;

  14.  por miíase bucal;

  15.  por neoplasia;

  16.  por língua presa ou anquiloglossia (Figura);

  17.  por cáries dentárias extensas e abertas;

  18.  por cisto dentígero;

?Língua presa

B) Halitose extrabucal não transportada pelo sangue:

B1-) Causas da halitose extrabucal não transportada pelo sangue, com procedência nas vias aéreas;

  1.  pelo uso de stents metálicos em patologia endobrônquica;

  2.  por bronquiectasia;

  3.  por amigdalite caseosa;

  4.  por patologia das adenoides;

  5.  por amigdalite;

  6.  por abscesso pulmonar;

  7.  por rinossinusite;

  8.  por faringite;

  9.  por respiração bucal

  10.  por rinite atrófica fétida (ozena);

  11.  por sífilis terciária das cavidades nasal e bucal;

  12.  por granulomatose de Wegener;

  13.  por abscesso retrofaríngeo;

  14.  por presença de corpos estranhos;

  15.  por carcinoma de laringe;

  16.  por cisto de Tornwaldt;

  17.  por ronco*;

  18.  por câncer pulmonar;

  19.  por tuberculose;

  20.  por rinoscleroma;

  21.  por radionecrose da laringe;

  22.  por broncopneumonia;

  23.  por fístula branquial completa do segundo arco;

  24.  por tuberculose nasal primária;

  25.  por teratoma pulmonar primário;

B-) Halitose extrabucal não transportada pelo sangue:

B2-) Causas da Halitose extrabucal não transportada pelo sangue, com origem no sistema digestivo;

  1.  por tricobezoar gástrico;

  2.  por megaesôfago;

  3.  por diverticulose esofágica (divertículo de Zenker);

  4.  por câncer esofágico;

  5.  por ulcerações do esôfago;

  6.  por fístula gastrocólica;

  7.  por fístula congênita broncoesofágica;

C-) Causas da Halitose extrabucal transportada pelo sangue:

  1.  por doença exantemática;

  2.  fisiológica da manhã;

  3.  da fome e do regime;

  4.  decorrente do alcoolismo;

  5.  por hipoglicemia;

  6.  por alterações hepáticas;

  7.  por absorção de substâncias pela pele ou mucosas;

  8.  por ingestão de alimentos odoríferos;

  9.  por estresse psicológico demasiado;

  10.  por tabagismo;

  11.  por alterações intestinais;

  12.  por alterações renais;

  13.  decorrente do hipertireoidismo;

  14.  por hemofilia;

  15.  por diabetes não compensado;

  16.  por febre reumática;

  17.  por desidratação;

  18.  por estados febris;

  19.  por distúrbios neuropsíquicos;

  20.  por escorbuto;

  21.  por trimetilaminúria;

  22.  por medicamentos com compostos aromáticos;

  23.  por herpes simples;

  24.  por agranulocitose;

  25.  por macroglobulinemia;

  26.  por leucemia;

  27.  por granuloma eosinofílico;

  28.  por crioglobulinemia;

  29.  por policitemia vera;

  30.  por doença de Letterer-Siwe;

  31.  por reticuloendotelioses não lipídicas;

  32.  por trombocitemia;

  33.  por doença de Hand-Schüller-Christian;

  34.  por hemorragia interna;

  35.  por noma oro-facial;

  36.  por púrpura trombocitopênica;

  37.  por anemia aplástica;

  38.  por doença de Von Willebrand;

  39.  por mononucleose.

  40. Mutações na proteína SELENBP12

Basicamente o mau hálito de origem na cavidade bucal, incluindo como exceção as amigdalas, se manifesta no ar expirado pela boca; o mau hálito originado na nasofaringe e adjacências se manifesta apenas no ar expirado pelo nariz; e todas as demais halitoses se manifestam por meio do ar expirado pela boca e pelo nariz, com um odor similar exalado em ambos. Podem também ocorrer 2 causas simultaneamente, mas nesse caso os odores da boca e nariz estarão alterados e serão diferentes um do outro.

Essa foi uma técnica que eu desenvolvi e apresentei no Congresso Internacional de Halitose em 20117 e que se tornou o capítulo 10 do Livro Bom Hálito e Segurança.8 Eu ensino essa técnica diagnóstica nos Cursos de Halitose Halitus Online e também aos pacientes que fazem o tratamento da halitose na Clínica Halitus. Pra saber mais acesse Técnica Diagnóstica Halitus.

Navegue pelo site PortaldoHalito.com.br e tenha acesso à clínicascursosprodutos para o mau hálito e boca seca e profissionais qualificados de todo o Brasil. No Portal do Hálito você também encontrará conteúdos em textos, vídeos e podcasts relacionados ao mau hálito, saburra lingual, cáseos amigdalianos, doenças da gengiva, boca seca, boca amarga, dicas de saúde bucal, saúde geral e muito mais. Pra receber esses conteúdos em primeira mão, assine a newsletter ou me siga nas redes sociais, que estão no final ou no topo dessa página.

Se tiver dúvidas ou precisar de mais informações, entre em contato pelo whatsapp 19 97404-1082.

Referências Bibliográficas:

1- Conceição MD. Causas e Mitos da Halitose.  Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose. 1 ed. Campinas - SP: Arte em Livros; 2013. p. 55-73.

2- Pol A, Renkema GH, Tangerman A, Winkel EG, Engelke UF, de Brouwer APM, et al. Mutations in SELENBP1, encoding a novel human methanethiol oxidase, cause extraoral halitosis. Nature genetics. 2018;50(1):120-9.

3- Seemann R, Bizhang M, Djamchidi C, Kage A, Nachnani S. The proportion of pseudo-halitosis patients in a multidisciplinary breath malodour consultation. International dental journal. 2006;56(2):77-81.

4- Quirynen M, Dadamio J, Van den Velde S, De Smit M, Dekeyser C, Van Tornout M, et al. Characteristics of 2000 patients who visited a halitosis clinic. Journal of clinical periodontology. 2009;36(11):970-5.

5- Zurcher A, Filippi A. Findings, diagnoses and results of a halitosis clinic over a seven year period. Schweizer Monatsschrift fur Zahnmedizin = Revue mensuelle suisse d'odonto-stomatologie = Rivista mensile svizzera di odontologia e stomatologia / SSO. 2012;122(3):205-16.

6- Conceicao MD. Relações entre consequências da halitose, ansiedade social e funcionamento evitativo em indivíduos com queixa de halitose. Itatiba/SP. Dissertação [Mestrado em Psicologia] - Faculdade de Psicologia da Universidade São Francisco; 2016.

7- Conceição MD. Halitosis origin diagnostic technique through oral and nasal organoleptic test. 9th Isbor International meeting; 25-28 May 2011; Salvador - Brasil.

8- Conceição MD. Técnica diagnóstica da origem das halitoses por meio dos testes organolépticos bucal e nasal.  Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose. 1 ed. Campinas - SP: Arte em Livros; 2013. p. 125-33.

Sobre o autor

Dr. Maurício Duarte da Conceição - CRO SP: 34.205
- Cirurgião Dentista, proprietário da Clínica Halitus, com 6 mil tratamentos de halitose realizados pessoalmente e da Empresa de Produtos Halitus, desenvolvidos para auxiliar o diagnóstico e tratamento da halitose e boca seca
- Pós-graduado em Halitose (Especialização) pela São Leopoldo Mandic - Campinas / SP
- Mestre em Psicologia pela Universidade São Francisco - Itatiba / SP
- Membro fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA)
- Autor do livro Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose, publicado em Português e em Espanhol, a mais completa obra já publicada sobre o tratamento do mau hálito
- Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais e autor de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior, nas áreas de Halitose e Boca seca 
- Especialista de Dentística Restauradora pela USP - Bauru / SP

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